quarta-feira, 4 de maio de 2011

Sr. Almeida

O nome do blog fala por si só neste 04/05/2011, histórico para o futebol. Nada melhor do que despertá-lo das trevas numa madrugada sombria e deliciosa ao mesmo tempo. Diria Nelson Rodrigues que a fatídica noite para o futebol brasileiro fora obra do Sobrenatural de Almeida. E quem hai de contestá-lo? Ele estaria certíssimo. Foi, de fato, obra do acaso, do inacreditável futebol clube, de tudo o que há de mais bizarro no mundo da bola. Milhares de brasileiros ficaram atônitos, de queixo caído, pasmos nos estádios ou na frente da televisão. E eu vos digo, que grande noite! Antes de ser apedrejado por tricolores cariocas, gaúchos, colorados e cruzeirenses, eu explico. O que ficou hoje foi a beleza do jogo. Em que outro esporte pode acontecer uma zebra coletiva como esta? Por mais difícil que seja, esqueçam o resultado, exaltem o futebol. É por isso que nós o amamos. Por que nos faz chorar, como hoje, e rir, também como hoje, para os secadores de plantão...
Quem poderia imaginar? Quem apostaria em um drama como este? É na resposta que está a graça do nosso esporte bretão... Ninguém! E deu no que deu.

E o roteiro macabro começou cheio de ironias. O primeiro a cair foi o Internacional, em Porto Alegre. Com pouco mais de um minuto de bola rolando, 1 x 0 e festa vermelha nas arquibancadas. Mas da empolgação nos degraus de cimento do Beira-Rio, percebi o primeiro sinal de que algo extraordinário estava para acontecer. Pelo menos ali, naquele jogo em que eu acompanhava, com Milton Leite queimando a língua desdenhando do Peñarol e de sua barulhenta e animada torcida que cantava sem cessar. Talvez eles, de amarelo e preto, soubessem o que estava por vir. Em 15 segundos do segundo tempo veio o empate com um golaço. Em cinco minutos a virada, e o começo do fim para o Inter. E assim caiu o atual campeão da libertadores, diante de sua torcida, quando um simples 0 x 0 lhe era suficiente. Era apenas o começo do efeito dominó.

No Chile, os corajosos torcedores gremistas comemoraram o fiasco do rival parecendo saber que não teriam muito mais o que celebrar. E o Imortal caiu, como já se esperava. Derrota de 1 x 0 para o Universidad Católica do Chile. E grenal só na final do campeonato gaúcho mesmo...

Por falar em Tricolor e imortal, um certo time de guerreiros vem a mente. Desde o milagre que foi escapar do rebaixamento em 2009, e a histórica classificação na fase de grupos, a torcida do Fluminense se acostumou com o time contrariando a matemática e a lógica do futebol. E o clube de Nelson Rodrigues mais uma vez o fez. Só que desta vez, as avessas. Mesmo com a vantagem de poder perder por um gol de diferença, o Flu de Fred, literalmente diga-se de passagem, sucumbiu a covardia. Mesmo depois do frango de Berna, esperou o tempo passar e aos 40 do segundo tempo tomou um choque de realidade com o golaço de Samudio. Os 2 x 0 já eram suficientes para o Libertad, e sua pequena torcida ainda comemorava quando veio a estocada final. 3 x 0 e férias forçadas aos "guerreiros".

Para completar a noite do Sr. Almeidão, o Cruzeiro! Simplesmente o melhor time da fase de grupos, com sobras. O time que jogava o futebol mais vistoso, que vencia de muito, que venceu o Once Caldas na colombia por 2 x 1... Reparou a conjugação dos verbos? Passado... O presente são os mineiros eliminados em casa, diante de sua torcida. Uma derrota esdrúxula para um time igualmente esdrúxulo, com a pior campanha da primeira fase, e que já foi campeão da libertadores batendo São Paulo na semi e Boca Juniors na final, em 2004. É, não tem mais bobo no futebol sul-americano. A cotovelada do Cuca em Renteria não surpreende. Trata-se de um bom técnico, completamente desequilibrado e que desestabiliza todo o grupo com seu nervosismo. Mais um papelão do treinador.

Vai entender o futebol... Pois é, ninguém entende, ninguém explica. David vence Golias, a qualquer hora, qualquer dia. Surreal, digo, sobrenatural...

Nenhum comentário:

Postar um comentário